A pré-produção começou desde o tema escolhido, eram poucos do grupo que conheciam o trabalho de Chico Science e Nação Zumbi mas em pouco tempo todos já conheciam, discutiam e cantarolavam as canções da banda.
Nosso professor José Algusto Blasis, 28 anos de magistério nos indicou um livro chamado “Hibridismos musicais de Chico Science e Nação Zumbi” escrito por um ex-professor nosso, foram poucos do grupo que chegaram a ler parte do livro também, porém para quem leu ajudou muito principalmente para dar uma linha narrativa ao documentário, apresentar discussões e reflexões no filme.
Nosso grupo se reunia irregularmente para discutir o roteiro, textos e temas para o documentário, o titulo do filme até então não era discutido, tínhamos em mente nomes como “caranguejos com cérebro” e “Chico science e o movimento mangue” mas nenhum destes nos agradou. Em uma destas reuniões definimos uma linha de narrativa, seriam duas linhas que se cruzariam, uma era a da historia da região, contextualizando o quadro social, ambiental e político e a outra era a da carreira de Chico Science, este modelo nos conduziu para fazermos as perguntas e assim montarmos uma historia com inicio, meio e fim.
Alguns do grupo também leram algumas entrevistas que Herom Vargas havia feito com membros do movimento mangue e nos enviou, isso nos ajudou e foi com base no nosso pré-roteiro, no livro e na entrevista que fizemos as perguntas para os entrevistados.
Desde o inicio alguns do grupo sugeriram irmos para Recife para fazer um documentário mais rico, o dinheiro era um problema mas conseguimos um local para ficar na faixa e nos viramos, combinamos aqui de São Paulo com alguns entrevistados mas sem marcar horário nem data, eles apenas disseram “quando chegarem aqui me liguem” e foi isso que fizemos. Tivemos sete dias maravilhosos em Recife.
Ao chegar em Recife bebemos, fumamos e começamos a marcar as entrevistas, tínhamos cerca de vinte pessoas que queríamos entrevistar porem algumas pessoas não foram possíveis. O que me parece agora é que foram os entrevistados que nos escolheram e não nós que escolhemos eles.
Queríamos alugar um carro porem não foi possível, nossa locomoção foram diversos táxis e muita caminhada.
Captamos cerca de quinze horas de material, foram onze pessoas entrevistadas, as entrevistas variaram, a maioria ocorreu naturalmente e os entrevistados se sentiram muito à vontade, foram poucos os casos em que a entrevista ocorreu de maneira “contraída”, nossa estratégia era ser natural, ligávamos a câmera sem avisar o entrevistador e emendávamos perguntas banais e piadas com perguntas vitais para a narrativa, isso foi muito positivo.
Nossa principal influencia para as entrevistas do filme foi Eduardo Coutinho e sua linguagem “botequeira” e “fluida” e em questão de planos nos resolvemos variar bastante, alternando planos mais fechados ou abertos porem seguimos o padrão de fechar o plano quando o entrevistado esta emocionado ou falando algo profundo.
É difícil dizer qual foi a entrevista que mais gostamos porem quando fomos ao Daruê Malungo entrevistar Abará e Mestre Meia-Noite foi muito interessante, estávamos no dia anterior farreando na rua da moeda, estava rolando maracatu na rua e nosso companheiro Cauê estava em um estado deplorável, estávamos indo para uma festa que Helder Aragão e Rogê haviam nos chamado quando o camarada Milner começou a conversar com um “Jamaica” na rua, este era Abará, sobrinho do Mestre Meia-Noite e marcamos a entrevista para o dia seguinte, nos atrasamos para a entrevista mas ocorreu tudo bem, entrevistamos os dois e conhecemos o Daruê Malungo, um lugar lindo, (que ensina capoeira, maracatu, alfabetização e informática para as crianças da comunidade) e pessoas fantásticas como Abará e Meia-Noite.
A entrevista da Dona Rita, mãe de Chico Science também foi marcante, eu, Guilherme anotei o endereço dela em um papel e acabei perdendo, fomos parar em Rio Doce, Olinda e ela morava em Recife, em um lugar que não lembro o nome. Estávamos sem dormir há muito tempo, havíamos varado a noite bebendo e estava um sol de rachar, o problema ali era que já não conseguíamos raciocinar direito, porem resolvemos tomar uma cerveja e acabamos achando o endereço na pasta de documentos, ai pegamos um táxi e fomos para o local certo, todos dormiram no táxi e ao chegarmos fomos recebidos por Dona Rita, Goretti e um dos irmãos de Chico Science, todos muito simpáticos e amáveis, eles nos passaram uma energia muito boa e conseguimos fazer uma das melhores entrevistas da viagem e do filme. O áudio parece que esta ruim mas vamos ver o que podemos fazer.
As entrevistas de modo geral ficaram boas e descontraídas, esta era a proposta desde o inicio, algo natural como Coutinho faz.
A pós-produção esta ainda em desenvolvimento e não da para falar muito bem sobre ela, temos a idéia da contradição para a edição e iremos seguir primeiramente o roteiro básico e montar o filme para depois ousar, em outros cortes.
Para o final queremos um filme com uma narrativa linear porem com muita musica, imagens e palavras de impacto e cores bem salientes para destacar a riqueza cultural que a cidade e que Chico Science tinha em sua obra.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
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